quarta-feira, 22 de abril de 2009

Luz no fim do túnel... Eureca!!!!


Ai que felicidade! O inglês finalmente está entrando na minha cachola! Genteeeee... que sensação gostosa! Hahahahah... ai que alívio! Achei que as coisas não iam nunca começar a se encaixar!!!! Que delícia começar a ler os textos que o professor dá e ir entendendo!!! Ai que tudo!!! É claro que meu vocabulário ainda é limitadíssimo e tenho muuuuuita coisa pra descobrir e aprender... mas gente! Tem uma luz no fim do túnel! Graças a Deus!

Hoje tô passando só pra repartir isso com vocês! Já está quase na hora de ir dormir e eu passei a tarde, até agora, estudando deliciosamente. Sabe quando você estuda gostoso? Adorando? rsrsrsr... que engraçado!

Estou me sentindo tão bem! Tinha que contar isso...


Este fim de semana eu e a bolsa dourada vamos viajar! Vamos conhecer o circuito "French Canadá", que são as cidades canadenses onde a primeira lingua é o francês: Montreal, Quebec e Otawa. Prometo que conto tudo depois!
YOU CAN HAVE OR DO ANYTHING THAT YOU WANT.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre neve, aniversário e amor!


Nos últimos 10 dias vivi experiências que me levaram a muitas reflexões. Do nada, no dia 7 de abril, depois de dias ensolarados, temperatura deliciosa (de 10 a 15 graus), amanheceu NEVANDO em Toronto, em plena primavera. Fiquei de cara!! Lá vai eu tirar do armário bota, cachecol, casaco, meia de lã, etc... etc... Tadinha da bicicleta azul, tinha me levado pra escola um dia só! Ficou estacionada em casa. Nossa, me surpreendi chateada com o frio. Fiquei de mau humor, com um sentimento ruim... me senti praticamente uma canadense, mau humarada no inverno! Lembra que eu contei que nos dias ensolarados, com temperaturas mais amenas, o astral da cidade muda completamente? Pois é... da mesma forma (negativa), para os dias friiiiios (gelados!!!). Aí depois que eu me toquei disso... comecei a analisar a vida da gente como é... quantos dias de neve surpreendentes acontecem na vida, né? Do nada nos deparamos com situações que alteram completamente a nossa rotina. Tá tudo bem, tudo sol e de repente neva! Cada um tem um jeito de lidar com este tipo de situação, né? Tem gente que lida bem com as situações inesperadas... Outras não! Daí percebi que eu não tava lidando muito bem, tanto com a mudança de temperatura, quanto com as pedrinhas no sapato da minha vida. Como o inglês!! Aaaaaaai, que exemplo, hein!!! Mas é verdade... percebi que enquanto eu ficar brigando com o inglês eu não vou aprender! Da mesma forma... se eu ficar de cara feia por causa do frio... isso só vai ser ruim pra mim, porque vai continuar frio do mesmo jeito!!!


Vamos mudar a mentalidade!

Vamos quebrar paradigmas!!!!


Então... semana passada foi meu aniversário! Longe das meninas, longe do Brasil, mas perto de mim mesma! Meu dia foi muito legal. A Cassia, minha colega brasileira arretada, organizou um almoço brasileiro (Brazillian's Food) e convidamos os colegas estrangeiros. Detalhe: quem cozinhou???? Advinha? Eeeeeeeu! Mas foi muito legal... ficamos juntos a tarde toda... brasileiros, árabes, chineses, japoneses, coreanos e mexicanos. Integração da missigenação. E todos se comunicando (tá certo que DAQUEEEELE jeito... com aquele inglês lindo, né?) Mas tudo bem!!! Valeu muito... obrigado viu Cassinha! Você é muito figura! A noite voltei pra casa e ainda fiquei de conversa com o Darren e a Kenia até duas horas da manhã... muito engraçado. Os dois no maior pé de guerra (no bom sentido, hein!!!) pra escolher o nome do neném... e eu no meio dando meus pitacos! rsrsrsr... engraçado demais! Mas é claro não chegaram ainda a nenhum acordo. Mas voltando ao meu aniversário, antes de dormir fui dar uma espiada no orkut e nos e-mail's... nossa, aí pronto! Foi uma choradeira sem fim... tanta mensagem linda, tanta gente querida me mandando parabéns, desejando boa sorte... expressando o amor mais legal que pode haver, mais livre e completo! Fiquei muito emocionada e com saudades!!! Saudades múltiplas!!! E pensei que eu plantei sementes muito importantes na minha vida. Algumas delas não vingaram, mas outras cresceram tão bonitas e fortes, que mal posso acreditar! Isso é fantástico!!!! Um sentimento muito gostoso que tenho dentro de mim!


Então... outro assunto que me levou à profundas viagens interiores, foi a conversa sobre o amor que eu tive, em INGLÊS, com meu amigo árabe. Imagina isso! Só Deus sabe como trocamos idéias a este respeito... Mas o fato é que conversamos uma tarde inteira. Ele me contou que teve uma namorada por 5 anos e que eles tiveram que acabar porque a família dele não tinha o dote de 30 mil dólares para o casamento. Bom, pelo menos foi isso que eu entendi! rsrsrs... e dai ele resolveu rodar o mundo, uma pra esquecer a moça e outra porque parte da família dele foi assassinada nos conflitos que tem naquela região. Ele é mulçumano (é assim que escreve?) e não quer viver mais no seu País de origem. Na arábia o governo paga 2 mil dólares por mês para os jovens estudarem em outros países. Por isso ele veio. Um parênteses: aaaaai, imagina quando que isso vai acontecer no Brasil? Imagina que maravilha????. Voltando à história. Então ele veio pra Toronto e se apaixonou por uma colega de classe, no primeiro mês aqui... e pra ficar perto dela, apesar de falar inglês muito melhor que todos da classe, pediu ao professor pra repetir o nivel pra ficar mais perto da menina, que não tinha conseguido passar para o segundo nivel... ai ai ai e sabe o que aconteceu???? Como ele repetiu o nivel o governo cortou a verba dele! Ele vai ter que ir embora pra Arábia ou para outro País. Não vai mais poder ficar aqui. A menina chamou ele pra ir pro País dela, já que ele não quer voltar pra Arábia por causa dos infinitos problemas. Mas meu Deus, ir pra um lugar onde ele não conhece a língua (um pouco absurdo, né? Mas ele sabe disso!!!)... e ele passou a tarde me contando sobre esta agonia, a duvida se vai ou não, essas coisas. Detalhe, ele está apaixonado, mas não tem certeza se ela está também. Eles estão muito amigos e não ficaram nem juntos ainda! E ele quer casar com ela!!!! Que história... e eu gastei maior tempão pra falar pra ele ter calma, que é uma decisão que tem que ser muito bem pensada... essas coisas! Mas não sabia como! Nossa, que dificil. Ele tava sofrendo, eu queria ajudar mas nao sabia quais as palavras certas em inglês, pra dizer naquela hora. A que eu mais falei foi: Don't Worry... mas queria concluir a frase dizendo, vai ficar tudo bem, e não consegui. Mas sabe que ele entendeu tudo perfeitamente? Eu acho engraçado ele ter confiado em mim, me contar isso tudo. De repente passo confiança por ser mais velha, né? I don't know!


Ah o amor... o amor e suas facetas. As vezes faz a gente fazer tanta besteira. Eu vejo isso tudo como uma expectadora, e fico pensando: nossa, eles são tão novos e ainda tem tanta água pra passar por debaixo da ponte!!!! Agora, no presente, pra ele isso tudo é gigante, o sentimento ganha proporções inimagináveis, mas depois tudo vai passar e um dia não vai significar mais quase nada! Eu vivi coisas tão difíceis e fortes na minha vida... e hoje tá tudo tão lá trás... esquecido! Ou adormecido, não sei exatamente! rsrsrsrs...


Não sei o que vai acontecer com meu amigo árabe. Não sei o que vai acontecer comigo. Não sei se vai nevar de novo. Não sei se a bolsa dourada vai me ajudar a quebrar taaaaaantos e taaaantos paradigmas que tenho dentro de mim, para serem rompidos.


Mas eu acredito que sim. Que vai dar tudo certo. Pra todo mundo!

domingo, 29 de março de 2009

Aninha e sua bicicleta azul!




Ana e o Mar

O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli

Veio de manhã molhar os pés na primeira onda.
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento.
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar
Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol

Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas

Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?

Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar?
Ana e o mar... mar e Ana
Histórias que nos contam na cama

Antes da gente dormir
Ana e o mar... mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar

Desse novo amor... Ana e o mar

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Ana e a bicicleta!!!

Comprei uma bicicleta! Uma bicicleta azul. Ótima sugestão da Kenia, para economizar a grana do metrô e para conhecer a cidade com mais profundidade, que eu não pensei duas vezes para acatar. A partir do dia primeiro de abril (juro que não é mentira!), minha bike blue (ou seria blue bike? rsrsrsr) será meu meio de transporte em Toronto. Ontem tive o prazer de experimentá-la pela primeira vez. Estava um dia liiiiiiindo, 12 deliciosos graus! Praticamente verão (exagero)! Nossa, pude experimentar a deliciosa sensação de liberdade, aquele gostinho de infância... o ventinho gostoso no rosto. Gosto de descobertas! Ou redescobertas! Eu não andava de bicicleta desde que era criança!

Adorei!

Aqui em Toronto quando começa a esquentar, as bicicletas começam a pipocar nas ruas. Uma graça! E as pessoas andam felizes. As roupas vão ficando mais claras, os dias mais bonitos, a vida mais leve. Os casacos, cachecóis e botas abandonados e os bares abrem suas portas e janelas, e colocam pra fora as mesinhas e cadeiras. Ontem eu, a Kenia e o Darren fomos andando até o Lago Ontario (lindooo!!), que é um dos principais pontos turisticos daqui (que quero explorar com mais calma, outro dia, com a minha bike blue). Dai comecei a observar uma cidade despertando, as pessoas limpando a frente de suas casas, que, depois que a neve derrete, fica uma sujeira sem tamanho. Feio de ver! Em outros lugares famílias interagindo nos jardins de suas casas. Nas praças crianças brincando, jovens andando de skate e os lindinhos esquilos pra todos os lados... nossa! Como são bonitinhos e muitos! Fiquei impressionada.

Visiveis sinais da Primavera!

Hoje choveu, daqui uns dias as flores aparecem e tudo muda. Nova estação. Novo momento. Sexta-feira passada tive minha primeira entrevista de emprego. Para servir yogurt e sorvete num quiósque, dentro de uma galeria. Me enrolei com o inglês... afe! Sem chance. Mas foi legal como experiência. Fico aqui, as vezes, pensando o quanto é injusto e complicado para a vida da gente, essa coisa de cada País ter uma língua. Pôxa... que injusto eu não poder mostrar meus talentos e trabalhar com aquilo que eu tenho aptidão, porque não domino o inglês! Mas não adianta viajar... é assim e pronto. E a minha realidade é que estou a procura de um sub-emprego! Seja lá ele qual for, eu vou encarar.

Mas estou feliz com a Primavera. Com as mudanças e com as novidades. Agora eu estou triplamente poderosa, tenho uma bolsa dourada, um caderninho de anotações e uma bicicleta azul!




quinta-feira, 26 de março de 2009

Conheça-me!


As minhas fotos falam muito sobre mim, muito mais do que as palavras que eu poderia aqui utilizar para criar algumas definições. O momento que me sinto mais completa é quando estou olhando através do visor da minha camêra... é ali, tentando eternizar momentos, desvendando belezas da natureza, descobrindo ângulos inusitados e garimpando as expressões mais gostosas nas pessoas, que, deliciosamente, me sinto na minha mais pura essência. Assim, fotografando e deixando minha alma vagar, consigo estar em paz e ver fortalecido meu anseio de um dia a fotografia ser minha única e amada profissão.
Conheça-me!

terça-feira, 24 de março de 2009

E o seu inglês, como está?


Então... tenho recebido muitas perguntas a este respeito ultimamente e tenho pensado muito sobre isso também. Este pensar me deixa agoniada, às vezes, e, em outros momentos, esperançosa. Quem conhece um pouco da minha história pode imaginar o tamanho da responsabilidade que carrego nas costas por estar aqui para aprender o tal do inglês. Eu apostei alto nisso aqui. Deixei trabalho, filhas, família, minha gente e minha terra... para enfrentar este desafio de aprender uma nova língua. Então me cobro o tempo todo, e isso vai se tornando uma "paranóiasinha", sabe? Estou sofrendo. Queria acordar e, como num passe de mágicas, estar falando inglês fluentemente e entendendo perfeitamente tudo que as pessoas falam...


Semana passada encerrou-se o primeiro ciclo do nivel 1 na escola. Todos os alunos foram submetidos a um exame oral e um escrito, ambos para testarem os conhecimentos adquiridos ao longo do mês. O exame aconteceu na quinta-feira e na sexta o professor sentou com cada aluno para um feedback. Pra mim foi uma surpresa boa, eu até que fui bem. Tirei boas notas. Na escrita tirei 7,5 (valendo 10) e na oral tirei 8... mas ai conversando com o professor, ele me perguntou se eu queria já passar para o nível 2, e devolvi a pergunta. Ele respondeu que, na opinião dele, eu deveria ficar mais um mês no nivel um para adquirir um pouco mais de segurança... eu tenho errado umas coisas bobas, ridículas, como a confusão entre When e Where (que me mata! Deis do Brasil) e mais outras coisitas que ando confundindo na hora de formar frases. Bem, eu resolvi seguir a orientação do professor e fiquei de novo no nivel 1. A metade da sala foi para o nível 2 e a outra metade ficou. Daí foi outra separação, na mesma semana que deixei os italianos... mudaram também os colegas e o professor. Senti. O professor era muito legal, e os coleguinhas super divertidos. Então vamos nós para novas adaptações!


Mas estou contando isso aqui pra dizer que tem horas que fico desesperada, insegura, com medo de não aprender! Eu não estou aqui de férias e não posso, de maneira nenhuma, voltar pro Brasil sem ter o domínio da lingua! As vezes acho que isso me bloqueia. Sentir toda essa responsabilidade, e ficar me auto cobrando em excesso parece que são empecílhos para que as coisas fluam naturalmente. Preciso relaxar! Mas ao mesmo tempo noto um pequeno progresso, como por exemplo, consigo entender melhor o que as pessoas falam, e cada dia guardo na cachola algumas palavras novas... aí isso me dá esperanças. Na minha nova casa, a Kenia e o Darren falam em inglês o tempo todo, eles falam muito rápido e eu fico um pouco zonza... as vezes entendo, as vezes bóio... mas a verdade é que ando com medo de falar, literalmente bolqueada.


Ontem eu estava arrasada! Da escola fui pra biblioteca e fiquei até 5 da tarde, estudando sem parar. Tenho feito isso praticamente todos os dias. Aí vim pra casa e foi uma novela. Uma, que entrei tão exausta no metrô, que sentei e esqueci da vida... e passei minha estação de destino. Tive que descer na próxima, dar uma volta enorme pra pegar de volta o sentido contrário. Outra que quando desci na estação certa, parei pra pegar o streetcar, ele demorou horrores pra passar e quando passou estava lotado e ninguém conseguiu subir... afe! Dai resolvi vir andando... e são nessas horas que Toronto apresenta suas surpresas. Estava passando pela praça que fica pertinho da casa da Kenia e escutei o som de um saxofone, procurei de onde vinha e vi um senhor embaixo da luz linda do fim da tarde, sentado num banco, tocando seu saxofone, tranquilamente. Eu tive que parar pra ouvir e pra ver aquela cena com calma. Como se não bastasse a música tocante, o senhor estava sentado embaixo de uma árvore linda, e o céu estava tão azul, que dava até vontade de chorar de alegria! Coisas assim tem o poder de tirar a gente da tristeza, né? Eu peguei minha máquina cybershot na mochila e discretamente tirei algumas fotos (que não ficaram boas, infelizmente!)... senti por não estar com minha Nikon... com certeza teria feito belíssimas fotos.


Mas é assim que estou nestes dias. Acho lindo as pessoas queridas me mandando mensagens tão positivas e carinhosas... isso pra mim tem sido tão importante! De uma certa forma sinto que não estou sozinha. O meu coração anda apertado, mas sei que é uma fase... eu sabia que não ia mesmo ser moleza enfrentar este desafio. Mas vai dar tudo certo.


Outro dia vou contar, com mais calma, que agora a bolsa dourada e o caderninho de anotações tem uma nova companheira: a bicicleta azul. Aguardem.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A primeira despedida



"...E assim chegar e partir...São só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida... A hora do encontro é também, despedida. A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar... é a vida!!!!!...".

Chegou ao fim o tempo da minha harmoniosa convivência com Mr. Rocco e Dona Chiarina. Este fim de semana me mudei de casa. A Kênia e o Darren me chamaram para morar com eles, por um preço bem mais em conta, e, como estudante vive duro e tem que se virar para economizar, achei a idéia ótima (além, claro, deu ter o privilégio de poder estar mais tempo perto dos dois, que são pessoas incríveis e queridas!). Eles moram no centro de Toronto e pra mim vai ficar muito mais fácil. Mas senti um certo pesar, inexplicável, por deixar os italianos. Uns dois dias antes de vir, eu já comecei a ficar "xororô". Eu revelei as fotos que tirei deles, da casa, dos netos, montei uma álbum, que ficou muito legal, e os presentiei. Eles adoraram! Ficaram emocionados. Não imaginei que fosse ter tanto significado pra eles! No album incluí várias fotos que tirei num domingo de manhã da Dona Chiarina fazendo massa caseira de macarrão, e o Mr. Rocco a ajudando, enfileirando numa mesa enorme os tubinhos longos de macarrão. Uma cena linda! Aí eles viram e disseram que aquelas fotos vão ficar para a posteridade, para os filhos, netos, gerações futuras. Que delícia! Delícia poder sentir que conseguimos construir uma relação de respeito, carinho e amizade, que eu faço questão de preservar, daqui pra frente. Eles já me convidaram para passar o domingo de páscoa com eles... me sinto praticamente da família! rsrsrsr...

No meu último dia com os italianos, acordei já com um nó na garganta sem tamanho. Tomei meu último breakfast com eles, mas não foi como os outros dias. Estávamos mais quietos, acho que tristes, né? Acredito que eles também estavam sentindo a minha saída. Aí subi e comecei a arrumar minhas coisas. Terminei, tomei um banho e desci para me despedir. Já desci chorando. Abracei Dona Chiarina e ela chorou também. Aquele, sem dúvida, foi um abraço de mãe e filha! Uma energia de amizade muito saudável, sabe? Nossa, que pena que eu ainda não estou dominando o inglês para poder dizer o quanto foi especial pra mim ter estado com eles e o quanto eu sou grata pelo carinho e atenção deles. Então o agradecimento ficou só com o : Thank you, very much! Mas no meu olhar eles entenderam. Tenho certeza.

Mr. Rocco me levou até a estação de metrô, e a partir daí lágrimas e mais lágrimas rolaram pelo meu rosto. O metrô vazio e eu chorando copiosamente, e é claro, tudo isso com trilha sonora... rsrsrs! (Um parênteses: eu acho que o MP3 é um ser vivo! É incrível, as musicas que ele escolhe para tocar são perfeitas para as cenas que tenho vivido aqui!!!! Inacreditável!!! Puta cara sensível!). Fiquei um tempo com a cabeça abaixada em cima da minha mala, chorando. Quando levantei pra respirar e tentar parar, vi que tinha um senhor me olhando com carinha de piedade. Me vi nele, que, com certeza, deve ter feito um filminho na cabeça dele, igualzinho eu faço nas minhas diárias viagens musicalizadas. Eu pude até imaginar a imaginação dele: "Ah coitada! Com todas estas malas deve ter sido abandonada pelo marido e vai procurar abrigo na casa dos pais (aí ele já imagina a cena da última discussão, ela implorando mais uma chance e ele dizendo que não a ama mais, que já está, inclusive, com outra pessoa)... ou quem sabe, está indo embora do País e deixando para tras um grande amor "...(Quem me dera!!!! rsrsrsr...). Mistura de sensações. naquele momento de desabafo senti um vazio muito grande, uma saudade da Cibele e da Bia, de toda família, dos amigos... do meu trabalho no Brasil, tão querido, que deixei pra trás. Senti solidão.

O vagão, depois de toda choradeira de 20 minutos, parou na estação College. Eu desci, com toda dificuldade com as malas e sacolas (um tormento...), e uma alma boa me ajudou carregando uma mala pela escada, que dá acesso à rua. Sempre tem gente boa nesse mundo, né? Fui andando bem devagarinho pra casa da Kenia, e as sensações foram se transformando... o dia estava lindo, uma brisa gostosa, calorzinho gostoso (10 graus! Ai que delícia!)... entendi que ali encerrou-se um ciclo e estava começando outro... e fiquei pensando nos encontros e despedidas que vivemos por toda a existência, em quantas pessoas que vamos conhecendo, amando, e deixando pela vida... Esta semana outro estudante estará no meu lugar na casa dos italianos, e assim... sucessivamente.

Mas o que ficou de bom é sentir que, da mesma forma que foi maravilhoso pra mim conhecê-los, pra eles também foi. E mais um trechinho da música linda "Encontros e Despedidas" do Milton, descreve muitíssimo bem meu sentimento: "Coisa que gosto é poder partir sem ter planos. Melhor ainda é poder voltar quando quero...".

E assim, em tão pouco tempo, eu e a bolsa dourada estamos em outro lugar, com outras pessoas, para novos e incríveis desafios!

terça-feira, 10 de março de 2009

O silêncio interrompido e o auto-corte




Mr. Rocco e Dona Chiarina são umas criaturas encantadoras! Adoro o respeito que eles tem comigo. Todos os dias, impreterivelmente, seis da tarde, ela sobe pra me chamar pra jantar. Eu acho muito cêdo, porque chega nove horas já tô com fome de novo! Maaaas, vamos seguir os costumes da casa, né? Por falar em costume, hoje aconteceu uma coisa que me tirou o fôlego. Normalmente o jantar aqui é bem silencioso, a TV ligada em frente à mesa, com o som bem baixinho, e ninguém fala nada. Todo mundo concentrado na mastigação e nas notícias do Telejornal, que, por sinal, eu só entendo pelas imagens, claro, né? Aí hoje, entre um intervalo e outro houve um break mais longo, extendendo assim o silêncio, e justamente neste momento, único, o Mr. Rocco soltou um arroto... mas não foi um arrotinho... foi um ARROTÃÃÃÃO!!! Estardalhando completamente com o silêncio. Eu parei de respirar! E mais engraçado é que ninguém falou nada... foi o mesmo que não ter acontecido nada. Deve ser costume deles, né? Pensei comigo: "Noooossa, mas o que eu faço com a vontade de soltar uma RISADOOOOOOONA?", aí comecei beber agua sem parar para manter meu auto controle. Nossa, que difícil... uma bobeira né? Mas todas as imagens engraçadas do mundo vieram na minha cabeça naquela hora. Sabe quando vc faz "pum" na igreija e não pode rir (e fica fingindo que não é com você????), quando acontece alguma coisa engraçada num velório... lugares inadequados para uma risadona? Pois é... fiquei com aquela sensação desesperadora de não poder rir. Lembrei dos jantares em Rondonópolis, eu, a Bia e a Ci... dai eu soltava um arrotão sem querer (mais querendo, sabe?), só pra gente morrer de rir... de brincadeeeeeira... e a gente ria gostooooooso!... Mas, enfim, aguentei firme... rsrsrsr! Depois eu ri tudo que eu tinha direito contando a história no MSN pra Karina... nossa, quase morri de rir, até chorei! Uma bobeira, né? Mas me fez um bem danado... fiquei leve, muito leve.




E pensar que hoje quando voltei da escola pensei: "hoje nao vai acontecer nada de diferente no meu dia..." Ah, tá bom!!!! Cheguei e tive que tirar uma sonequinha, porque tava um friozinho muuuuuito convidativo prum cochilo. Aí quando acordei e fui tomar banho, fiquei um tempo me olhando no espelho... olhando, olhando, olhando... vc sabe que mulher quando fica olhando muito pro espelho é que não tá gostando muito do que tá vendo, né? Aí resolvi cortar o cabelo!!!! Desci na cozinha e pedi uma tesoura pra Dona Chiarina, mal sabia ela pra quê, né? rsrsrsrsr... E corteeeeeeeeei... pouca coisa, mas corteeeei com maior sensção boa!! Cortei a franja e repiquei meu cabelo... e não é que ficou bom???? Eu fiquei parecendo com a Bia!!!! Juuuuro... muito engraçado! Me senti tão auto suficiente... corte de cabelo aqui é um absurdo de caro. Mas que legal, gostei da sensação! Ando ficando muito corajosa, né? Ah, mas se ficasse uma feiura, pelo mesmo eu não ia colocar a culpa em ninguém e ia assumir, com o maior prazer, a "cagada"!



Depois dos acontecimentos insesperados do meu dia, estou achando tudo engraçado... Tô rindo queném criança! Acho que é "bolsite dourada" aguda!!! rsrsrsr... coisa boa!