Tenho reservado algumas horinhas do meu dia pra ajudar na produção de cartuchos pra Festa de Santo Antonio, em benefício à Casa da Criança de Pedralva, que vai acontecer no feriado de junho (7 a 10). A Márcia teve a linda ideia de montar uma Oficina de Cartuchos pra resgatar esta tradição, ensaiando tristemente pra ser esquecida pelas futuras gerações. É lindo ver nos dias de Oficina o aprendizado passando das mãos experientes e talentosas da Tia Nilza, Dona Marinês, Tia Zuza, Lena do Zé Arnaldo, para algumas curiosas adolescentes e jovens quarentonas (queném eu!), como um pedacinho da história dos nossos antepassados, de tanta gente que já foi embora deste planeta... uma cultura que um dia foi tão rica e valorizada em tantas esquecidas barraquinhas, quermesses e festas de santos!
Em meio aos papéis crepons (e de seda) coloridos, colas e tesouras, encontramos harmonia, alegria e bem querer. As tardes na Oficina são terapêuticas. São mágicas. Como é gostoso cortar papel e não pensar em nada! Gente! Isso faz muito bem! Aí de repente você tá lá perdida no pensamento vago e escuta uma deliciosa gargalhada que te estimula a rir também, sem nem saber o motivo de tanta graça. Essa é a delícia da Oficina!
No primeiro dia com as "cartucheiras" eu vim com um papinho xôxo pra Marcia: "Eu fico só na fotografia Má, num tenho jeito pra essas coisas, tá bom?". Ah, tá bom então. Mas no segundo dia fui abduzida pelo colorido dos papéis e pela vontade incontrolável de experimentar! Olha que palavra linda: EXPERIMENTAR!!! Ah, não custa tentar, né? E quando comecei a cortar os papéis foi me dando uma leveza e uma vontade de não parar nunca mais! A concentração que a gente fica é praticamente uma higienização da mente. Nesse momento, os poucos pensamentos que temos, pelo menos no meu caso, foram insights de coisas da vida.
Quantas idéias pré concebidas, teimosias, preconceitos e falta de conhecimento de si próprio nos impedem de experimentar coisas novas nessa vida, num é mesmo? De onde eu tirei a ideia de que não tinha jeito "pra essas coisas"? Tem que ver como eu corto fininho e certinho os papéis que vão se transformar nos pomposos cartuchos! rsrsr...É claro que eu não me tornei uma sumidade no assunto do dia pra noite, e nem quero! Mas o que eu quero é estar aberta pras coisas que eu "penso" que eu não sou capaz de fazer, de criar, de tentar, de viver. Isso sim eu quero! Mais do que ajudar um bocadinho a Casa da Criança com a produção dos Cartuchos, essa Oficina tá mesmo é ajudando a gente a ajudar a si mesmo!
Coisa linda.
Beijos!













