quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entre cartuchos e insights






Tenho reservado algumas horinhas do meu dia pra ajudar na produção de cartuchos pra Festa de Santo Antonio, em benefício à Casa da Criança de Pedralva, que vai acontecer no feriado de junho (7 a 10). A Márcia teve a linda ideia de montar uma Oficina de Cartuchos pra resgatar esta tradição, ensaiando tristemente pra ser esquecida pelas futuras gerações. É lindo ver nos dias de Oficina o aprendizado passando das mãos experientes e talentosas da Tia Nilza, Dona Marinês, Tia Zuza, Lena do Zé Arnaldo, para algumas curiosas adolescentes e jovens quarentonas (queném eu!), como um pedacinho da história dos nossos antepassados, de tanta gente que já foi embora deste planeta... uma cultura que um dia foi tão rica e valorizada em tantas esquecidas barraquinhas, quermesses e festas de santos!

Em meio aos papéis crepons (e de seda) coloridos, colas e tesouras, encontramos harmonia, alegria e bem querer. As tardes na Oficina são terapêuticas. São mágicas. Como é gostoso cortar papel e não pensar em nada! Gente! Isso faz muito bem! Aí de repente você tá lá perdida no pensamento vago e escuta uma deliciosa gargalhada que te estimula a rir também, sem nem saber o motivo de tanta graça. Essa é a delícia da Oficina!

No primeiro dia com as "cartucheiras" eu vim com um papinho xôxo pra Marcia: "Eu fico só na fotografia Má, num tenho jeito pra essas coisas, tá bom?". Ah, tá bom então. Mas no segundo dia fui abduzida pelo colorido dos papéis e pela vontade incontrolável de experimentar! Olha que palavra linda: EXPERIMENTAR!!! Ah, não custa tentar, né? E quando comecei a cortar os papéis foi me dando uma leveza e uma vontade de não parar nunca mais! A concentração que a gente fica é praticamente uma higienização da mente. Nesse momento, os poucos pensamentos que temos, pelo menos no meu caso, foram insights de coisas da vida.

Quantas idéias pré concebidas, teimosias, preconceitos e falta de conhecimento de si próprio nos impedem de experimentar coisas novas nessa vida, num é mesmo? De onde eu tirei a ideia de que não tinha jeito "pra essas coisas"? Tem que ver como eu corto fininho e certinho os papéis que vão se transformar nos pomposos cartuchos! rsrsr...É claro que eu não me tornei uma sumidade no assunto do dia pra noite, e nem quero! Mas o que eu quero é estar aberta pras coisas que eu "penso" que eu não sou capaz de fazer, de criar, de tentar, de viver. Isso sim eu quero! Mais do que ajudar um bocadinho a Casa da Criança com a produção dos Cartuchos, essa Oficina tá mesmo é ajudando a gente a ajudar a si mesmo!

Coisa linda.

Beijos!

sábado, 12 de maio de 2012

Minha mãe e minha mãe...



Perdi minha mãe com 11 anos. Com ela perdi a auto estima, a fé, a confiança em mim mesma e na vida, por muuuuuitos anos (e olha, vou te contar, deu o que fazer pra recuperar isso tudo! Na verdade nem sei se consegui tudo ainda!).

Uma mulher linda de 42 anos, espantoso, tô quase chegando lá, e hoje fico assustada em pensar quantos sonhos e vontade de viver ela deveria ter, quando o teimoso coração dela teimou em "enguiçar". Até hoje carrego um grande vazio que a falta dela causou. Quem me vê  "quase sempre" alegre não imagina o tamanho da dor que teima em nunca ir embora. A diferença é que aprendi a conviver, forçosamente.

Mas por outro lado, logo que perdi minha mãe, ganhei outra, instantaneamente: meu pai. Meu pai é a luz da minha vida! Nós tivemos muitas dificuldades de relacionamento na minha adolescência, porque depois que a mamãe morreu eu me tornei a adolescente mais rebelde de todos os tempos. Dei um trabalhão pra ele, tadinho! Mas ele NUNCA desistiu de mim. E eu acho que isso que é amor verdadeiro, né?

Então, neste dia das mães, eu não poderia deixar de homenagear estas duas grandes pessoas da minha vida: minha mãe e minha mãe: Dona Cibele e Sr. Antonio.

Obrigado por tudo, sempre, viu?

Muita saudade!
Muito amor!


terça-feira, 8 de maio de 2012

Andanças e novos ângulos...




Semana passada foi uma semana mega agitada pra mim, mas um agito calmo, gostoso,  porque aqui em Pedralva a gente corre devagar! rsrs... É bem assim mesmo! Fiquei envolvida com os preparativos pro aniversário da cidade e me entreguei a uma das coisas que eu mais gosto de fazer: fotografar! Fizemos uma exposição de fotos antigas de Pedralva, com imagens comparativas do antes e depois, então saí por aí pra fazer as fotos atuais junto com o Ricardo. O "por aí" foi mega legal, porque subimos morro, a torre da igreja, entramos em casas altas, tudo procurando pelos melhores ângulos. E olha, vi coisas lindas! Às vezes a gente tem que sair mesmo do lugar comum pra ver as coisas de um jeito diferente, né?

Fiquei pensando muito nisso quando vi Pedralva de cima da torre da igreja. Lá em cima me lembrei do acampamento da semana santa, quando fizemos o contrário do que costumamos fazer nos tradicionais acampamentos desta data. Fomos ver a Pedra Branca de cima de um morro, em frente a ela. No começo confesso que fiquei resistente e frustrada com a ideia, porque tava com uma saudade danada de ficar lá imóvel, em cima da pedra, escutando o barulhinho do vento e me perder olhando praquele mar de montanhas tão maravilhosas, que limpam a mente da gente de qualquer pensamento que não seja bom. Mas, mesmo resistente, fui na onda da moçada. E olha, a única coisa que consegui fazer ao chegar em cima do morro foi me calar.  Coisa mais linda ver a danada de frente, toda imponente e graaaaaaande, linda, maravilhosa! Fiquei emocionada! E o acampamento foi tudo de bom, divertido, gostoso e DIFERENTE.

Mudar a perspectiva é saudável. É importante. Necessário. Tem tanta coisa na vida da gente que teimamos em ver por um lado só, né messs? Às vezes as coisas não saem exatamente como queremos e o que a gente faz? Fica ali insistindo, em vez de mudar o ângulo, olhar do outro lado, subir na igreja.

As coisas do outro lado podem ser  melhores do que a gente imagina, mas tem que ir lá pra ver.

Beijos!




sexta-feira, 27 de abril de 2012

Se faltar a paz... Minas Gerais!




No finalzinho do ano passado eu ganhei um CD da Luaninha (Luana Serena, sua linda!), minha filhinha postiça, que já mora no meu coração, como se fosse mesmo uma filha, desde os tempos de Mato Grosso.  É um CD, que eu simplesmente amei, do Marcelo Camelo, que ela me deu porque um dia comentei com ela que não conhecia direito. E essa fofa me deu de surpresa!!

Neste CD tem uma música que eu acho tão linda e que traduz, com tanta meiguice, o sentimento que Minas Gerais desperta em mim. Eu tenho vontade de ficar aqui pra sempre, mas uma coisa que eu aprendi nessa vida é que não adianta a gente fazer planos e ser radical com eles, que no fim das contas, a vida que manda... seja lá o que for, se tiver que ser, tudo vira de perna pro ar pra acontecer. Eu quero ficar, este é meu desejo mais certo, mas se tiver um dia que ir, a danada da vida empurra com gosto. Num é assim mesmo?

Minas é uma delícia... as pessoas, os cheiros, as palavras, o humor!! O acolhimento... a prosa! Tenho muito orgulho de ser mineira. Lembro que quando morava em Mato Grosso ou em São Paulo, sempre que perguntavam de onde eu era, ai que delícia, estufava o peito pra falar: SOU MINEIRA!!!

Mas voltando no CD, hoje escutei essa música que fala de Minas, de acolhimento e de saudade. Na verdade escutei várias vezes!!! Me lembrei de pessoas que eu quero que estejam aqui com mais frequência, que não se percam da minha vida e que encontrem sempre em Minas e em mim, o desejo de voltar!

Pra vocês, a música, com um grande beijo acolhedor!


Três DiasMarcelo Camelo
Se faltar carinho, ninho,
Se tiver insônia, sonha,
Se faltar a paz, se faltar a paz, Minas Gerais.
Se encontrar algum destino

Para solidão tamanha,
Se faltar a paz, se faltar a paz, Minas Gerais.
Se faltar carinho, ninho,
Se tiver vontade chama,

Se faltar a paz, se faltar a paz, Minas Gerais.
Se você ficar sozinho,
Pega a solidão e dança,
Se faltar a paz, se faltar a paz, Minas Gerais.

Desaparecer no vento
E acordar no outro instante,
Nó na imensidão do tempo
Todo sentimento faz,
Mas se faltar a paz, se faltar a paz, se faltar a paz, Minas Gerais.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O resgate de um coração...


Quando eu era pequena e a gente morava aqui, no mesmo lugar onde moro hoje, eu e meus irmãos éramos loucos por cachorros. Todos que passaram pela nossa infância eram como se fossem mesmo "pessoas" da nossa família. Cada um que morria era um pedacinho arrancado de nós, e, com tantas perdas, acho que desgostei. Mas desgostei de um jeito estranho, depois que cresci tomei aversão, meeeeeesmo, por cachorros. É claro que era incapaz de fazer mal aos bichinhos, mas não entendia como que as pessoas podiam ser tão apegadas, a ponto de levar o cãozinho até pra dormir junto na mesma cama. Quem me conhece há mais tempo sabe muito bem disso, né Dani e Leila? As duas são amigas lindas que conheci nos meus anos em Mato Grosso, e que, se bobear, dão a vida pelos cachorrinhos delas. E eu, vivia implicando com elas, né mesmo, meninas?

Só sei que quando "voltei pra casa", consegui resgatar coisas maravilhosas aqui, inclusive o amor pelos cães, coisa que, juro, nunca imaginei que fosse acontecer. Quando vim com minha mudança pra morar no sítio, a casa já tinha uma habitante, a Meg, uma cadela de porte grande, raça não determinada (vulgo vira-lata), bem bonita e com um olhar cativante. Confesso que no começo fui bem resistente e já pensei egoisticamente: "ai que saco!". Mas com o passar do tempo a danada da Meg me conquistou e, quando dei por mim, toda manhã tava eu lá, fazendo carinho e dedicando um pouco do meu tempo pra conversar com ela. Pra Cibele e pra Bia não foi nada difícil gostar da Meg, porque elas sempre gostaram de cachorro e nunca passaram pelos meus traumas mal resolvidos de infância.

Mas aí a Meg entrou no cio, papai prendeu ela em outro lugar pra não pegar cria, mas não teve jeito, engravidou (cachorro engravida ou emprenha? rsrsr... nem sei!). Quando a barriga começou a crescer já imaginei aquele monte de cachorrinhos pelo quintal, fazendo a nossa festa.  Teria sido muito legal!

Ontem a noite a Meg entrou em trabalho de parto e alguma coisa não saiu bem. Hoje quando acordamos ela estava morta. Tão grande, tão forte... e lá, esticada sem vida, com vários cachorrinhos também sem vida dentro dela. Nossa, que triste! Nosso quintal perdeu um pouco a graça e a alegria. Nesse momento eu sinto uma grande vazio, mas ao mesmo tempo, sinto gratidão. Uma gratidão imensa à Meg por ter amolecido e tocado o meu coração, que andava tão endurecido pela vida.

Ela vai deixar muitas saudades, assim como a Lessie, a Crioula, a Duda, o Lordie... e, em homenagem a ela,
eu prometo que daqui um tempo vamos arrumar outro cachorro, pra continuar o trabalho de resgate, que a Meg começou.   Um beijo, querida!  



terça-feira, 24 de abril de 2012

Mostre que você ama Pedralva!!!

Uns meses depois que voltei a morar em Pedralva a Márcia Bustamante (querida Má!), me convidou pra fazer parte do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), que é um conselho da comunidade para criar projetos e acompanhar o trabalho do Departamento de Turismo e Cultura de Pedralva. De cara adorei o desafio e olha... fiquei encantada com o trabalho da moçada! O Ricardo Bustamante, na frente do Departamento, a Márcia e toda galera que compõe o conselho, cheios de boas idéias e o melhor, com ótimas intenções, estão dando provas de amor lindas por Pedralva, com este trabalho voluntário. Tô mega feliz em poder ajudá-los de alguma forma, principalmente com o conhecimento que adquiri na minha profissão, que acho que pode servir bastante neste caso.

Mas eu queria mesmo falar é que  eu acho uma judiação a falta de envolvimento da comunidade com um projeto tão bacana para alavancar a economia da nossa cidade! Nossa, as pessoas quase não vão nas reuniões, que são abertas pra população. O desenvolvimento do turismo aqui vai ser bom pra todo mundo, gente!!!!... como será maravilhoso se os pedralvenses despertarem pra esta realidade!

E é isso que queremos fazer! Acordar o povo!!!!

Pedralva é linda de VIVER!! Quem vem aqui se apaixona!! Temos que tirar proveito disso pra trazer progresso pra nossa cidade do coração!!!

Hoje tô passando rapidinho pra dar uma cutucada e convidar quem ler o blog pruma reunião beeeeem legal que vai ter hoje, na Câmara Municipal, às 19h, onde vamos apresentar o Planejamento de 2012, além de lançar o blog  do COMTUR, o Flickr com fotos mega lindas de Pedralva, enfim... tem que ir pra conferir.

Então, quem tá em Pedralva, em vez de ficar vendo aquelas novelas medonhas da Globo, que não acrescentam nada de útil pra vida de ninguém, vem com a gente, fazer história!!!!

Vem que a nossa alegria será imensa!

Beijão pro cêis!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Das coisas que vem e vão...



Ontem eu fui convidada pra fazer uma palestra pra moçadinha do segundo colegial, na escola da Cibele, minha filha, sobre o meu trabalho como escritora. Na aula de Literatura eles estão estudando os tipos de biografias e lá fui, contar um pouquinho sobre a experiência que tenho adquirido neste sentido. Foi uma delícia, os alunos foram super atenciosos e participativos e eu fiquei realmente muito feliz em ter aceito o convite, e em perceber o quanto esta galerinha está antenada em querer aprender.

Mas o que eu queria dizer disso é que um dos alunos me perguntou se tinha algum escritor que me inspirava. De cara lembrei do Rubem Alves, embora meu estilo seja bem diferente do dele. Afinal de contas eu não posso viajar tanto quanto ele! rsrsr... Lembrei do Rubem Alves porque acho que foi ele quem despertou minha alma para as metáforas bonitas da vida. O descobri na época da faculdade e a empatia foi tão grande que eu, naquele tempo, comprei praticamente todos os livros que ele já tinha publicado e os devorava, deliciosamente.

Depois de um tempo me formei, fui viver no Mato Grosso, virei gente grande com uma família pra criar e acabei abandonando o Rubem... rsrsrs... ficou engraçado isso! Quero dizer, sem muito tempo pra mim, deixei de comprar seus livros e assim a vida seguiu. Só que as metáforas lindas ficaram pra sempre em mim e, vira e mexe, estão presentes de alguma forma, acho que pra mostrar a sabedoria do movimento na vida da gente.

No livro "Tempus Fugit" (Olha que coisa linda: "quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será", tá escrito na contra capa do livro), ele compara as coisas que vem e vão na vida da gente com os efêmeros Ipês, que nos trazem por poucos dias extrema beleza e, no restante do ano, são árvores comuns, apenas deixando saudade dos dias coloridos. Mas na florada do Ipê a gente pensa: "pôxa, valeu à pena o universo ter sido criado, só por causa disso!!!", não é mesmo? E só de lembrar a gente já fica feliz, porque sabe que as flores vão sempre voltar.

E por coincidência essa semana todas as minhas violetas voltaram a florir, imagina se eu não lembrei do Rubem Alves, né? Me deu uma alegria! ... (só um parênteses, que TUDO, que MARAVILHOSO, que DIVINO, poder ter um tempinho pra cuidar de plantas! Tô no céu!!! :) ).

Mas é isso! O amor, o encantamento, a alegria, por mais que fiquem tempos afastados de nós, sempre dão um jeitinho de voltar. A gente sente falta dos dias de florada, fica até um pouco tristinho, porque os danados destes sentimentos fazem uma falta danada, né? Mas o jeito é ficar feliz, porque um dia, de alguma maneira, eles irão voltar.

Deixo aqui então de presente pra vocês o finalzinho de uma das crônicas mais lindas dele que já li. Ela se chama: Onde mora o amor.

"Mas aí, sem que se saiba por que, a gota de chuva cai, o vento se vai, e ficamos de mãos vazias. E só nos resta esperar. Como esperamos que o ipê floresça de novo. As flores desapareceram, mas voltarão. Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. E neste espaço o amor só sobrevive graças a algo que se chama fidelidade: a espera do regresso. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora. Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro." (Tempus Fugit - Rubem Alves)